
Pensar a Europa.
Pensar o esgotamento de todos os seus possíveis e a sua paralisia.
Como um tísico e o seu olhar febril e cheio ainda de iluminação.
O cerco aperta-se de todas as civilizações, das que sobretudo sentem em si um pólo unificador.
Imaginá-la inundada do Islamismo ou tingida de preto de uma inundação africana ou asiática.
Imaginá-la surpreendida no entretém do seu vazio.
Pensá-la servil como os escravos pedagogos em Roma, a servir de ilustração aos seus novos senhores.
Ou pensá-la coalhada de electrodomésticos e computadores, na ausência de uma alma enfrentada aos bárbaros da tecnologia.
Pensá-la dessorada, fluidificada, viscosa na indiferenciação total do seu ser.
Pensar a Europa.
Chorar sobre ela.